Em 2011, investigadores da Universidade de Stanford fizeram uma experiência simples antes de uma eleição nos Estados Unidos.
A um grupo de pessoas perguntaram: "Qual a probabilidade de vires votar amanhã?" A outro grupo perguntaram algo quase igual: "Qual a probabilidade de seres um eleitor amanhã?"
A única diferença estava numa palavra. Uma pergunta falava de uma ação. A outra falava de uma identidade.
No dia da eleição, quem tinha sido convidado a "ser um eleitor" votou significativamente mais do que quem tinha sido convidado a "votar". O estudo foi publicado na PNAS e tornou-se uma referência em psicologia comportamental precisamente por mostrar isto: não basta pedir uma ação. Quando a pessoa se vê a si própria como alguém que faz aquilo, o comportamento muda.
Lemos este estudo a pensar em eleições. Mas é impossível não pensar também nos bebés que acompanhamos todos os dias no Alora Montessori.
O que dizemos, sem querer dizer
No dia a dia com crianças pequenas, descrevemo-las constantemente. "Ela é desarrumada." "Ele é difícil." "É tímida."
Quase nunca há intenção de ferir por trás destas frases. Muitas vezes até são ditas com ternura. Mas há uma diferença grande entre descrever o que a criança fez e dizer quem a criança é.
Um bebé que não guardou os materiais hoje não é, por isso, um bebé desarrumado. Teve, simplesmente, um momento difícil. Estava cansado, ou absorto noutra coisa, ou ainda a aprender.
Porque aprender, para um bebé, é isto: tentar, falhar, tentar de novo.
"Ajude-me a crescer, mas deixe-me ser eu mesmo." — Maria Montessori
Ajudar a crescer significa, muitas vezes, separar aquilo que a criança fez de quem a criança é.
Como isto aparece no atelier
Quando um bebé atira um objeto pela quinta vez numa manhã, a nossa resposta não é sobre o bebé ser ou não ser bem-comportado. É sobre o momento.
Em vez de "não fazes isso", uma Guia diz "este material está a ser difícil de guardar agora" ou "estás com dificuldade em esperar a tua vez".
Parece uma diferença pequena. Mas repetida ao longo de meses, é uma das formas mais concretas como protegemos a autoestima e a autonomia de cada criança — dois dos pilares do método Montessori.
Da teoria para casa
Esta forma de falar não fica fechada dentro do atelier. Faz sentido em casa, nos mesmos momentos difíceis que todas as famílias conhecem.
- Em vez de "és desarrumado""hoje foi difícil arrumar isto"
- Em vez de "és preguiçoso""hoje custou a começar"
- Em vez de "és teimoso""estás a defender o que queres"
- Em vez de "portas-te mal""isto não é seguro, vamos tentar de outra forma"
Nenhuma destas frases finge que nada aconteceu. Todas descrevem o momento sem decidir, por ele, quem a criança vai ser no dia seguinte.
Porque isto pesa mais entre os 12 e os 36 meses
É exactamente nesta fase que a criança começa a formar as primeiras ideias sobre si própria. Cada frase repetida ajuda a escrever essa história.
Isto não significa abrir mão de limites. Um limite claro e mantido com firmeza é também respeito pela criança. Significa apenas ter cuidado para que o limite seja posto ao comportamento, e nunca à identidade.
Um bebé que hoje teve dificuldade em arrumar, em partilhar ou em esperar continua a ser, amanhã, um bebé com todas as possibilidades em aberto.
As palavras que usamos, em casa e no atelier, ajudam a manter essa porta aberta.
Fonte: Bryan, C. J., Walton, G. M., Rogers, T., & Cohen, G. L. (2011). Motivating voter turnout by invoking the self. PNAS. pnas.org
Venha conhecer a Alora Montessori
Estamos em São Pedro do Estoril, a poucos minutos de Cascais. Agende a sua visita e conheça o nosso espaço.
Agendar visita