Abre a caixa. Fecha a caixa. Abre outra vez. Fecha outra vez. Ao fim da décima repetição, muitos pais já perderam a paciência ou simplesmente deixaram de perceber o que há de tão interessante naquela atividade. A criança, entretanto, continua concentrada, como se ainda fosse a primeira vez.

É uma situação muito comum nos primeiros anos e uma das coisas que mais desperta a curiosidade dos pais. Porque é que ela não se cansa? Não está simplesmente a fazer a mesma coisa repetidamente?

Na verdade, a repetição pode ser uma parte muito importante da forma como uma criança pequena aprende.

Quando uma criança repete um movimento, tem a oportunidade de o conhecer cada vez melhor. Na primeira tentativa, pode estar a descobrir como abrir uma caixa. Algumas tentativas depois, começa a perceber quanta força precisa de usar, como posicionar a mão e como coordenar os movimentos. A atividade pode parecer exatamente a mesma para um adulto, mas a experiência da criança está a mudar a cada repetição.

É por isso que, num ambiente Montessori, não temos pressa em interromper uma criança que está profundamente envolvida numa atividade só porque já a fez várias vezes.

Se uma criança quer transportar um objeto de um lado para o outro, verter água repetidamente ou encaixar o mesmo material muitas vezes, existe uma razão para continuar. Pode estar a aperfeiçoar um movimento, a testar uma possibilidade, a ganhar confiança ou simplesmente a desfrutar da sensação de conseguir fazer algo cada vez melhor.

Na Alora, procuramos dar espaço para que essa repetição aconteça.

Em vez de decidir que está na hora de passar para outra atividade porque, aos olhos de um adulto, a criança já fez aquilo "vezes suficientes", observamos primeiro. Será que ela ainda está envolvida? Será que está a tentar aperfeiçoar alguma coisa? Será que precisa realmente da nossa intervenção?

Muitas vezes, a melhor coisa que podemos fazer é dar-lhe tempo.

Isto também é algo que podemos experimentar em casa. Quando uma criança quer fazer a mesma coisa repetidamente, não precisamos de procurar imediatamente uma atividade nova. Podemos simplesmente permitir que continue, desde que a atividade seja segura e adequada à sua idade.

Também não precisamos de elogiar cada tentativa. Um "muito bem" depois de cada repetição pode acabar por chamar a atenção da criança para o adulto quando ela estava completamente envolvida naquilo que estava a fazer. Por vezes, observar em silêncio é uma forma muito bonita de respeitar a concentração da criança.

E há outra coisa importante: tempo. As crianças pequenas precisam de tempo para repetir. Se passamos constantemente de uma atividade para outra, pode ser difícil chegar ao momento em que uma criança começa realmente a dominar um movimento ou a descobrir algo por si própria.

Um adulto que aprende a tocar piano não toca uma escala uma única vez e passa imediatamente para outra. A prática é feita através da repetição, e cada tentativa permite um pouco mais de precisão e controlo.

Nos primeiros anos acontece algo semelhante, embora através do movimento, da exploração e das experiências do dia a dia.

Por isso, da próxima vez que o seu filho quiser fazer a mesma coisa pela décima, vigésima ou trigésima vez, talvez valha a pena olhar para aquela repetição de outra forma.

Em vez de perguntar "Porque é que ele continua a fazer isto?", podemos perguntar: "O que estará ele a descobrir através desta repetição?"

Na Alora, acreditamos que dar espaço para descobrir essa resposta faz parte de respeitar o ritmo da criança.

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